quarta-feira, abril 12, 2006

Jogos Sérios

Por Chico Queiroz

Já mencionamos anteriormente uma dificuldade dos meios de comunicação tradicionais em reconhecer o videogame enquanto parte da industria cultural e, portanto, merecedor de uma análise crítica análoga às do cinema, televisão e histórias em quadrinhos (para citar alguns exemplos). Hoje, quero apontar um gênero com potencial para reverter, ao menos parcialmente, este quadro desfavorável aos jogos eletrônicos: os Jogos Sérios.

Jogos Sérios são aqueles que, não necessariamente renegando a natureza prazerosa dos jogos, se dedicam a informar, capacitar e educar. Jogos deste tipo geralmente buscam causar uma impressão que o jogador leve para além dos domínios do próprio jogo – seja um conhecimento adquirido, uma mensagem de cunho social ou o desejo de consumir algum produto. Exemplos de Jogos Sérios incluem produtos tão diversos quanto America’s Army, projetado para incentivar o alistamento de jovens americanos, The McDonald’s Game, jogo de fundo ativista questionando práticas da indústria de fast-food, e Yourself! Fitness, que se anuncia como um personal trainer para plataformas de videogame.

Se o termo “Jogos Sérios” parece contraditório em si, é pela ênfase quase absoluta que se deu ao entretenimento como objetivo final do videogame desde que este surgiu, décadas atrás. A diversão foi, e ainda é, alçada à condição de santo graal do design de jogos. Há quem argumente que isso seria reflexo de uma imaturidade do meio que, afinal, seria muito recente quando comparada a outros como o próprio cinema, este já centenário. Mas o caso pode não ser esse. Jogos e brincadeiras, antes da chegada do computador, já carregavam uma aura de frivolidade, inconseqüência e até mesmo infantilidade. Paradoxalmente, alguns dos motivos para jugamentos como esses são os mesmos que poderiam explicar o potencial dos Jogos Sérios.

Acredita-se que o desenvolvimento infantil esteja diretamente relacionado com o ato de brincar. Pesquisadores como Jean Piaget teorizam o desenvolvimento da criança e suaadaptação ao mundo adulto através de suas atividades lúdicas. Jogos e brincadeiras seriam, para muitos, modos de aprendizado acessíveis e atraentes. Quando se joga, praticam-se vários atos de aprendizagem sucessívos, desde a memorização das regras, passando pela avaliação de estratégias e chegando ao domínio sobre jogo. Lingüistas como James Paul Gee e designers de jogos como Raph Koster são alguns a enfatizar a ligação entre educação e videogames, destacando como é possível que se extraia do aprendizado uma atividade divertida.

Outra característica dos videogames que contribui para seu caráter educativo/informativo é a simulação – muitas vezes melhor para ilustrar e representar processos detalhados que longos textos explicativos. A participação ativa do jogador também é um fator a ser levado em conta, pois permite uma manipulação que o permitiria e incentivaria uma exposição aprofundada do problema. Quando avaliamos outras formas de comunicação, vemos que se tratam de qualidades bastante peculiares ao meio interativo, do qual o videogame é um de seus maiores representantes.

Ora, não há motivo para que se restrinja estas qualidades a jogos voltados somente para o entretenimento. Embora a pouca idade do meio tenha sido descartada, ainda no início deste artigo, como motivo da suposta imaturidade dos videogames, é verdade que ela influencia (ou pode ter influenciado) esta idéia por pelo menos dois motivos. O primeiro diz respeito à capacidade técnica dos videogames, que em seu surgimento talvez não fosse suficiente para promover discursos um pouco mais sofisticados. O segundo reside no fato de que poucas gerações conviveram com este meio, o que pode explicar em parte a ausência de conteúdos mais sérios oferecidos ao público.

Jogos sérios podem ajudar a legitimar o papel do videogame dentro de outros meios de comunicação e na sociedade como um todo. Com propostas muitas vezes bem diferentes às dos jogos mais populares, mas sem perder as qualidades que compõem os jogos eletrônicos, trata-se de um gênero cujas mensagens podem ampliar consideravelmente as respostas emocionais dos jogadores e estimular debates a respeito dos temas apresentados e da maneira como estes são retratados. Não cabe aí nenhum elitismo: a esperança é que jogos voltados para a diversão pura e simples sejam, a partir de então, melhor compreendidos e reconhecidos dentro da indústria cultural da qual fazem parte.

5 comentários:

Marcio Eugênio disse...

opa, o que mais você tem sobre esse assunto de jogos serios? é um assunto que tenho muito interesse. Por favor, vamos falar mais sobre isso. Se der me passa um e-mail: marcio.eugenio@sinos.net

chico queiroz disse...

Olá Marcio, Desculpe a demora em responder seu comentário. Na verdade, só hoje reparei que havia um comentário lá...

Quanto a sua pergunta, dois websites muito bons para se dar uma olhada são www.seriousgames.org e www.watercoolergames.org. Juntando estes dois sites voce têm uma boa idéia da produção de jogos sérios.

Mas qual seria seu interesse mais específico? Jogos educativos? Persuasivos? Ligados a saúde?

Mantenha contato!

programaçao disse...

Olá Chico, Estou a realizar um trabalho sobre jogos sérios.
Queria saber se você sabe se há algum jogo sério na área da educação e se está a ser usado nessa área..
Abraço.
Aguardo resposta.

programaçao disse...

Desculpa.. Enviei um comentário e não pus o meu email. O meu email é jpeixoto33@gmail.com

Anônimo disse...

Olá, estou fazendo um trabalho sobre jogos sérios e preciso de informações de fontes seguras. Se puder me enviar algum material fico muito agradecida.
Tide.
Email: tidegiraldello@hotmail.com